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O estado do Clube

Ponto de situação a 11 de Outubro de 2026

O plano do Clube foi naturalmente chumbado. E o Bessa foi vendido por 33 milhões.

A 7 de Outubro, na assembleia de credores do Boavista Futebol Clube, o plano de recuperação da Direcção foi rejeitado e os credores aprovaram a venda do Estádio do Bessa e do complexo desportivo por 33 milhões de euros ao grupo Confrasilvas, da família Maurício. A Direcção diz que vai apresentar um novo plano até ao fim de Outubro. Entretanto, o Clube retomou a actividade de algumas modalidades, mas o estabelecimento do Bessa continua fechado. Esta é a insolvência do Clube; a da SAD, entidade distinta, seguiu para liquidação a 3 de Setembro.

Não é um desfecho inesperado. Em Julho, ao explicar aqui o plano, assinalámos as fragilidades que vieram a pesar: a desigualdade no tratamento dos credores, do género que já levara tribunais a recusar planos de outros clubes este ano, e a ausência da comparação com a liquidação que a lei exige. O plano acabou rejeitado pelos próprios credores, entre eles os hipotecários, a mesma classe que o documento distinguia como "também investidores". É o episódio mais recente de uma gestão que foi estreitando as opções do Clube: afastada da gestão pela Administradora de Insolvência em Fevereiro, presidiu ao encerramento de toda a actividade a 15 de Julho, manteve congeladas as renovações de quotas durante meses e entregou o plano na véspera do encerramento.

O plano, chumbado

Entregue a 14 de Julho, propunha pagar ao Estado a totalidade da dívida em 150 prestações mensais, aos fornecedores 25% em 150 prestações trimestrais (37 anos e meio) e aos credores hipotecários os mesmos 25% em 12 anos e meio, por serem, dizia o documento, "também investidores". As receitas projectadas assentavam na exploração do Estádio do Bessa, interdito desde 2025. A 7 de Outubro os credores rejeitaram-no. A Direcção afirma que vai apresentar um novo plano até ao fim de Outubro.

O plano, explicado →

O Bessa vendido

Na mesma assembleia, os credores aprovaram a venda do Estádio do Bessa e do complexo desportivo por 33 milhões de euros ao grupo Confrasilvas, de Jorge Silva Maurício, através da Frozenspark e da leiloeira Leilosoc. O valor supera o mínimo exigido pelos credores, de 32,9 milhões. No leilão anterior, a melhor das doze licitações ficara em 25,7 milhões, abaixo do mínimo. Fica por conhecer o efeito da venda sobre a actividade do Clube e sobre o novo plano anunciado.

Frentes abertas

  • O novo plano que a Direcção diz querer apresentar até ao fim de Outubro: admissão, votação dos credores e homologação.
  • Efeitos da venda do Bessa (33 milhões, família Maurício) sobre o Clube e sobre a continuidade das modalidades.
  • Reabertura: o Clube retomou a actividade de algumas modalidades, mas o estabelecimento do Bessa continua fechado, sob as condições financeiras mês a mês impostas pelo Tribunal.
  • SAD: liquidação aprovada a 3 de Setembro. Falta apurar o que resta da sociedade e o destino dos activos desportivos.
  • A marca «Boavista Futebol Clube» está registada no INPI em nome de uma sociedade privada dos dois dirigentes (Boavista Global, Lda), ainda sem decisão. Ver a marca, explicada.
  • Salvaguarda do Bessa como património da cidade (Câmara do Porto e Assembleia Municipal).
Leia o plano na íntegra. O documento entregue em tribunal e o anexo financeiro, em Documentos. →

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